Chama-se 30 e picos e parece uma boa sugestão para visita. Aproveitem que está a começar. Não digam que eu não avisei.
É pessoal e intransmissível. Rija como o ferro. Quase vitalícia. Mais poderosa que uma locomotiva. Mais rápida do que uma bala. Não, não é o super-homem é a: SOGRA. Não é um novo super-herói. É, pelo contrário, uma realidade que existe quase desde que o mundo é mundo, não fora Eva ter nascido de costela de Adão em vez de ventre materno. É sabido, pela força da tradição, que cada noiva trás atrelada, para o seu casamento, a respectiva mãe, que pelos votos conjugais se torna a S-O-G-R-A. A tradição mudou e já não, são muitas as práticas casamenteiras do passado que se mantêm. Por exemplo, as adeptas do enxoval com as rendas, mantas, cortinados, pratas, colchas e tapetes, moram nas brumas do antigamente. Nem vamos falar da questão do sexo antes do casamento pois isso é algo que remonta ao início da humanidade. No entanto , uma tradição manteve-se incólume à passagem do tempo: a sogra. A sogra é a figura institucional que simboliza as dificuldades do casamento. Uma das principais fontes de embaraço na relação, já por si atribulada, entre solteiros e casados. Ela é a matriarca da desgraça. Um entrave ao enlace matrimonial. A razão para não temer o pai da noiva mesmo que ele tenha precedentes violentos. A sogra é um empecilho à sanidade conjugal, não é uma pedra no sapato, mas antes uma pedreira inteira e de granito. É a fava do casamento, partindo do pressuposto, nem sempre exacto, de que a filha é o brinde. Não pode ser devolvida, moldada ou triturada. Vem para ficar. É um teste à paciência e à tentação de cometer homicídio. Todos têm a sua e, infelizmente, não pode ser partilhada. As suas vítimas são anónimas. Não existem discriminações raciais, sociais ou espirituais. Existem baixas em todas as facções. Ninguém é excluído. Não existem preferências nem territórios pré-determinados. Infelizmente não está em vias de extinção. Os dinossauros foram, mas ela ficou. Lamento, informar mas cada um com a sua, não dá sequer para trocar. Felizmente que a minha é um doce...Que pena que eu tenho de si!